10.7.08

teoria lírica (10. FILME MUDO)

1. Antunes, o polícia, era também o único polícia. Rosa, se chovia, levantava a sai-ai-a.

2. Mas Antunes não se encontrava realizado.

3. Falaram-lhe de uma telefonia sem fios, mas quê, aonde…e a esperança esmorecia.

4. Metia a mão no bolso, a pistola ainda estava lá. No coldre, que é um bolso exterior, eheh, para quem tem pressa.

5. Antunes; debruçado na amurada do cais. Nuvem passa a juventude: Antunes no curso de polícia, disparando, disparando sem repentança, sai-ai-am da frente. Os alvos e os bonecos estroboscópicos, calos no gatilho.

6. Mas agora…andante, non piú allegro furioso; nenhum meliante na terra. Pôr-do-sol cinzento.

7. Destino. Rouxinol esgarça o bi-bico. Um caralho de vida, mas dito com pés e violinos.

8. Então, oh: Ro-Rosa, alevantando a saia, o destino. Ó-rror, cobras na cabeça do Antunes.

9. Tiros, tambores, enfisemas.

10. O outro foge. Rosa morta, nem um pingo de céu na boca. Pólvora na orquestra, meias rotas. Que cena.

11. Antunes tem azia, close-up. Entrega as mãos.

12. Nenhum polícia as toma (Antunes é o único polícia).

13. Final consabido. Antunes algema-se a si próprio, olha a nuvem com a direcção da prisão.

14. Amor ao fundo, que negro é este, fim.


Rui Costa